Saúde

Doença Celíaca

A doença celíaca é causada pela intolerância ao glúten, uma proteína encontrada no trigo, aveia, cevada, centeio e seus derivados. Os principais sintomas da condição são dor abdominal, diarreia e flatulência Para cada caso de paciente homem, existem duas ou três mulheres. O problema afeta 1% da população mundial, o que representa 76 milhões de pessoas.

A doença celíaca é inimiga da tradicional pizza com os amigos e da macarronada em família. Todo mundo adora, mas nem todos podem comer. Isso porque esses alimentos contêm glúten, uma das proteínas do trigo.
A doença celíaca é causada pela intolerância ao glúten, uma proteína encontrada no trigo, aveia, cevada, centeio e seus derivados. Os principais sintomas da condição são dor abdominal, diarreia e flatulência.
A doença celíaca é uma das poucas doenças autoimunes em que o responsável pela reação é conhecido: o glúten. Doenças autoimunes ocorrem quando o corpo ataca uma parte do próprio organismo, causando mau funcionamento do sistema imunológico.
Há duas proteínas do trigo: as formadores de glúten (gliadinas e as gluteninas) e as não formadoras de glúten.
Moléculas não digeridas de gliadina, ao entrarem em contato com as camadas mais internas da mucosa intestinal, estimulam a produção de zonulina. Esta, por sua vez, afrouxa as junções do intestino, tornando-o permeável. Isso faz com que o glúten atravesse a barreira intestinal e se deposite na parte externa do intestino delgado.
Esse acúmulo causa uma inflamação crônica responsável por sintomas que vão desde diarreia até osteoporose. Com o tempo, impede a absorção de nutrientes. A incidência é maior na infância, mas pode ocorrer em qualquer idade. Como é um mal genético, os portadores já nascem celíacos. Para cada caso de paciente homem, existem duas ou três mulheres. O problema afeta 1% da população mundial, o que representa 76 milhões de pessoas.
Os sintomas podem variar de acordo com a idade do paciente. Em crianças, o atraso de crescimento é um indicativo da doença. Mas nem sempre são sintomas do trato gastrointestinal. Deficiência de ferro e osteoporose são alguns deles.
Os sintomas, em geral, aparecem entre os seis meses e dois anos e meio de vida. No entanto, isso não é regra. Portadores da doença podem manifestar os sintomas na fase adulta.
Os principais sintomas são:
* Diarreia ou prisão de ventre crônica;
* Dor abdominal;
* Inchaço na barriga;
* Danos à parede intestinal;
* Falta de apetite;
* Baixa absorção de nutrientes;
* Osteoporose;
* Anemia;
* Perda de peso e desnutrição

 

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O diagnóstico é feito por meio de exame clínico com médico especialista, que vai analisar os sintomas. Biópsia do intestino, por meio de endoscopia, exames de sangue e/ou dieta restritiva sem glúten também são requeridos pelo médico.
A doença celíaca não tem cura. O tratamento consiste em retirar da dieta todos os alimentos que contenham glúten. Os sintomas da doença em pacientes fora do grupo de risco (indivíduos geneticamente pré-dispostos, com histórico familiar) são indicativos da necessidade de exames mais detalhados.
Por ser um problema genético, conforme explica o biólogo e doutor em genética de microrganismos e membro do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) Airton Vialta, “recomenda-se que os parentes do paciente diagnosticado sejam investigados, apresentando ou não sintomas”.
A doença celíaca é diferente da sensibilidade ao glúten ou intolerância ao trigo. Se você tem sensibilidade ao glúten, pode ter sintomas semelhantes aos da doença celíaca, como dor abdominal e cansaço. Ao contrário da doença celíaca, a sensibilidade ao glúten não danifica o intestino delgado.
Todos os produtos da panificação feitos à base de farinha de trigo devem ser evitados pelos celíacos, tais como pães, bolos, biscoitos e massas de todos os tipos. Cerveja também está proibida. Além disso, celíacos devem se manter longe de alimentos com centeio e aveia, que não contêm glúten, mas sofrem contaminação cruzada. A contaminação cruzada ocorre quando há transferência direta ou indireta de contaminantes físicos, químicos ou biológicos de um alimento, utensílio, vetor ou manipulador para alimentos que serão consumidos. Pode ocorrer nas diferentes etapas do processo de produção do alimento: pré-preparo, tratamento, armazenamento, transporte, serviço.
São fontes de contaminação: esponjas e panos de prato, colher de pau, óleo para fritura, manteiga, geleia, requeijão, pão de queijo de padaria. Também se deve evitar em açougues que produzam alimentos empanados. Celíacos só podem ingerir alimentos feitos em cozinhas descontaminadas.

 

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A doença celíaca pode afetar qualquer pessoa. No entanto, tende a ser mais comum em pessoas que têm:
* Um membro da família com doença celíaca ou dermatite herpetiforme
* Diabetes tipo1
* Síndrome de Down ou Síndrome de Turner
* Tireoidite autoimune
* Colite microscópica (colite linfocítica ou colagenosa)
* Doença de Addison
* Artrite reumatóide

O glúten é o responsável pela elasticidade dos pães. Quando entram em contato com a água, as proteínas (que não se dissolvem) mudam de forma e ligam-se entre si. Durante o cozimento, as bordas do glúten aprisionam água e gás carbônico e se expandem. Isso resulta em produtos leves e aerados.
Para fazer produtos livres de glúten, geralmente combina-se vários tipos de farinha (além de féculas e aditivos, como a goma xantana), aumentando significativamente o custo do produto resultante. Isso porque não há uma variedade única que mimetize as propriedades da farinha de trigo. Por isso os produtos livres de glúten sofrem, na comparação de sabor e textura, com suas contrapartidas que contêm glúten.
“O glúten é responsável pelas principais características sensoriais na panificação. Por isso sua eliminação ou substituição nos produtos é um grande desafio tecnológico para a indústria”, explica Vialta. A Lei Nᵒ 10.674, de 16 de maio de 2003, obriga que os produtos alimentícios comercializados informem sobre a presença de glúten.
Pesquisas para desenvolvimento de trigo geneticamente modificado (GM) sem glúten avançam na Europa, Estados Unidos e Japão. Esses estudos já identificaram quais partes da proteína causam irritação nos celíacos.
O próximo passo é subtrair do genoma da planta os genes que provocam o distúrbio digestivo. “Apesar de serem feitos, atualmente, ensaios clínicos com trigo GM envolvendo pessoas com doença celíaca, muitos testes ainda serão necessários. Esse é um procedimento necessário antes da liberação para plantio comercial”, afirma Vialta.
Essa abordagem também foi usada por um grupo de cientistas do Instituto de Agricultura Sustentável em Córdoba, na Espanha. Liderados por Francisco Barro, os pesquisadores pretendem desligar genes responsáveis por desencadear respostas imunes adversas. A equipe de Barro trabalha para reduzir ou silenciar as proteínas do glúten por meio de uma técnica chamada interferência por RNA (RNAi). Essa estratégia muda a expressão dos genes sem alterar seus DNA.
A ideia é ajustar as partes do glúten (especificamente uma proteína chamada gliadina) tóxicas a indivíduos com intolerância. Ao todo, 35 de 45 genes já foram geneticamente modificados em uma variedade selvagem de trigo. O resultado foi uma queda de 85% na reação imune. Esses outros dez genes ainda precisam ser desativados antes que a cepa esteja pronta para testes. Entretanto, ela já demonstrou ser capaz de produzir pães com baixo teor de glúten.
Os primeiros resultados do estudo foram publicados em maio de 2014 no “Journal of Cereal Science”. Em 2017, as páginas do “Plant Biotechnology Journal” estamparam os avanços da pesquisa, que, à época, já contava com a parceria da Universidade de Sevilha, também na Espanha, e da Universidade de Minnesota, nos EUA.
Entre as pesquisas mais modernas sobre a doença celíaca, está uma vacina desenvolvida em Cambridge, Massachusetts (EUA). Em 2017, a imunização apresentou resultados promissores em sua fase I de testes clínicos, realizados com 38 indivíduos celíacos em Melbourne, na Austrália. A próxima etapa do trabalho pretende verificar se a dose poderá ser usada, junto com uma dieta livre de glúten, para proteger pacientes quando eles se expuserem inadvertidamente à proteína do trigo.

 

Biografia:

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Michele K. B. Machado formou-se em Farmácia, no ano 2000, pela Universidade Metodista de Piracicaba. Focou seus estudos na gestão de pessoas e, no varejo farmacêutico, onde atuou nestes 18 anos de formação.
Sua responsabilidade profissional e, seu viés social proporcionaram verdadeiros cases de sucesso no cuidado à saúde da comunidade. Sempre pautada em orientações verticalizadas e socialmente necessárias contribuiu para a manutenção e geração de cuidado à saúde das comunidades em que esteve inserida.

 

 

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