Saúde

Doação de Medula Óssea

No Brasil, o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) promove a busca de doadores no Brasil e nos registros estrangeiros. O REDOME É o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea, um cadastro que reúne informações (nome, endereço, resultados de exames, características genéticas etc) de voluntários à doação de medula para pacientes que precisam do transplante. Um sistema informatizado cruza as informações genéticas dos doadores voluntários cadastrados no REDOME com as dos pacientes que precisam do transplante. Quando é verificada compatibilidade, a pessoa é convocada para efetivar a doação.

A medula óssea é um tecido líquido-gelatinoso que ocupa o interior dos ossos, sendo conhecido popularmente por “tutano”. Na medula óssea são produzidos os componentes do sangue: as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas. Pelas hemácias, o oxigênio é transportado dos pulmões para as células de todo nosso organismo e o gás carbônico é levado destas para os pulmões, a fim de ser expirado. Os leucócitos são os agentes mais importantes do sistema de defesa do nosso organismo, nos defendem das infecções. As plaquetas compõem o sistema de coagulação do sangue.
Não confundam: medula óssea e medula espinhal não são a mesma coisa. A primeira ocupa a cavidade dos ossos, já a medula espinhal é formada de tecido nervoso que ocupa o espaço dentro da coluna vertebral e tem como função transmitir os impulsos nervosos, a partir do cérebro, para todo o corpo.
O transplante de medula óssea consiste na substituição da medula óssea doente ou deficitária por células normais de medula óssea, com o objetivo de reconstituição de uma medula saudável. O transplante pode ser autogênico, quando a medula vem do próprio paciente, ou alogênico, quando a medula vem de um doador. O transplante também pode ser feito à partir de células precursoras de medula óssea, obtidas do sangue circulante de um doador ou do sangue de cordão umbilical. Após o nascimento, o cordão umbilical é pinçado (lacrado com uma pinça) e separado do bebê, cortando a ligação entre o bebê e a placenta. A quantidade de sangue (cerca de 70 – 100 ml) que permanece no cordão e na placenta é drenada para uma bolsa de coleta. Em seguida, já no laboratório de processamento, as células-tronco são separadas e preparadas para o congelamento. Estas células podem permanecer armazenadas (congeladas) por vários anos nos Bancos Públicos de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário, e disponíveis para serem transplantadas.
O transplante de medula óssea pode ser indicado para tratamento de um conjunto de cerca de 80 doenças, incluindo casos de mieloma múltiplo, linfomas e doenças autoimunes.
Quando da necessidade de um transplante inicia-se uma série de protocolos com o paciente: depois de se submeter a um tratamento que destrói a própria medula (doente), o paciente recebe a medula sadia como se fosse uma transfusão de sangue. Essa nova medula é rica em células chamadas progenitoras que, uma vez na corrente sanguínea, circulam e vão se alojar na medula óssea, onde se desenvolvem. Durante o período em que estas células ainda não são capazes de produzir glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas em quantidade suficiente para manter as taxas dentro da normalidade, o paciente fica mais exposto a episódios infecciosos e hemorragias. Por isso, deve ser mantido internado no hospital, em regime de isolamento. Cuidados com a dieta, higiene pessoal e esforços físicos são necessários. Por um período de duas a três semanas, o paciente precisa ser mantido internado e, apesar de todos os cuidados, os episódios de febre são quase uma regra no paciente transplantado. Após a recuperação da medula, o paciente continua a receber tratamento, só que em regime ambulatorial, sendo necessário, por vezes, o comparecimento diário ao hospital.
A boa evolução durante o transplante depende de vários fatores: o estágio da doença (diagnóstico precoce), o estado geral e as boas condições nutricionais e clínicas do paciente, além, é claro, do doador ideal. Os principais riscos se relacionam às infecções e às drogas quimioterápicas utilizadas durante o tratamento. Com a recuperação da medula, as novas células crescem com uma nova “memória” e, por serem células da defesa do organismo, podem reconhecer alguns dos seus órgãos como estranhos. Esta complicação, chamada de doença do enxerto contra hospedeiro, é relativamente comum, de intensidade variável e pode ser controlada com medicamentos adequados. No transplante de medula, a rejeição é relativamente rara, mas pode acontecer. Por isso, existe a preocupação com a seleção do doador adequado e o preparo do paciente.
Para realizar um transplante de medula é necessário que haja compatibilidade tecidual entre doador e receptor. Caso contrário, a medula será rejeitada. Esta compatibilidade tecidual é determinada por um conjunto de genes localizados no cromossoma 6. A combinação de genes do doador e do paciente deve ser idêntica (100%) ou muito próxima do ideal (90%). A análise é realizada em testes laboratoriais específicos, a partir das amostras de sangue do doador e receptor, chamados de exames de histocompatibilidade (HLA).
Quando não há um doador aparentado (um irmão ou outro parente próximo, geralmente um dos pais), a solução é procurar um doador compatível entre os indivíduos da população em geral, representada por diferentes grupos étnicos (brancos, negros, amarelos etc) e suas combinações. Desta forma, surgiram os primeiros registros de doadores de medula óssea, em que voluntários são cadastrados e selecionados para ajudar pacientes de todo o mundo. Hoje, já existem mais de 25 milhões de doadores em todo o mundo. No Brasil, o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) promove a busca de doadores no Brasil e nos registros estrangeiros.
O REDOME É o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea, um cadastro que reúne informações (nome, endereço, resultados de exames, características genéticas etc) de voluntários à doação de medula para pacientes que precisam do transplante. Um sistema informatizado cruza as informações genéticas dos doadores voluntários cadastrados no REDOME com as dos pacientes que precisam do transplante. Quando é verificada compatibilidade, a pessoa é convocada para efetivar a doação.
Antes da doação, o doador faz um rigoroso exame clínico incluindo exames complementares para confirmar o seu bom estado de saúde. Não há exigência quanto à mudança de hábitos de vida, trabalho ou alimentação. A doação é feita em centro cirúrgico, sob anestesia, e tem duração de aproximadamente duas horas. São realizadas múltiplas punções, com agulhas, nos ossos posteriores da bacia e é aspirada a medula. Retira-se um volume de medula do doador de, no máximo, 15%. Esta retirada não causa qualquer comprometimento à saúde.
Há um outro método de doação chamado coleta por aférese. Nesse caso, o doador faz uso de uma medicação por cinco dias com o objetivo de aumentar o número de células-tronco circulantes no seu sangue. Após esse período, a pessoa faz a doação por meio de uma máquina de aférese, que colhe o sangue da veia do doador, separa as células-tronco e devolve os elementos do sangue que não são necessários para o paciente. Não há necessidade de internação nem de anestesia, sendo todos os procedimentos feitos pela veia.
A decisão sobre o tipo de doação é exclusivamente dos médicos.
O número de doadores voluntários tem aumentado expressivamente nos últimos anos.
Há mais 3,7 milhões de doadores inscritos. A chance de se identificar um doador compatível, no Brasil, na fase preliminar da busca é de até 88%, e ao final do processo, 64% dos pacientes têm um doador compatível confirmado. O Brasil tornou-se o terceiro maior banco de dados do gênero no mundo, ficando atrás apenas dos registros dos Estados Unidos (quase 7,9 milhões de doadores) e da Alemanha (cerca de 6,2 milhões de doadores). A evolução no número de doadores deveu-se aos investimentos e campanhas de sensibilização da população, promovidas pelo Ministério da Saúde e órgãos vinculados, como o INCA. Essas campanhas mobilizaram hemocentros, laboratórios, ONGs, instituições públicas e privadas e a sociedade em geral.
Ao total, são 70 centros para transplantes de medula óssea. Destes, 30 realizam transplantes com doadores não aparentados e estão distribuídos por 8 estados brasileiros e no Distrito Federal.
O que a população pode fazer para ajudar os pacientes?
É preciso ter entre 18 e 55 anos de idade e gozar de boa saúde. Para se cadastrar, o candidato a doador deverá procurar o hemocentro mais próximo de sua casa para esclarecer dúvidas a respeito da doação. Em seguida, será feita a coleta de uma amostra de sangue (10ml) para a tipagem de HLA (exame de histocompatibilidade que identifica as características genéticas de cada indivíduo). Os dados do doador são inseridos no cadastro do REDOME e, sempre que surgir um novo paciente, a compatibilidade será verificada. Uma vez confirmada, o doador será consultado para decidir quanto à doação. O transplante de medula óssea é um procedimento seguro, realizado em ambiente cirúrgico, feito sob anestesia geral, e requer internação de, no mínimo, 24 horas.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), no geral, os riscos para o doador são pequenos e estão relacionados à necessidade de anestesia. Dentro de poucas semanas, a medula é totalmente recuperada. Sintomas como dor local, dor de cabeça e fraqueza podem ocorrer após o procedimento, mas são passageiros e controlados com analgésicos.
Existem doenças impeditivas para a doação de medula óssea, impossibilitando que a pessoa se torne um doador cadastrado ou ocasionando o cancelamento do cadastro no REDOME:

AIDS / HIV
-Pessoas diagnosticadas com HIV (AIDS) não poderão realizar o cadastro no REDOME

HEPATITE
O cadastro será permitido nos seguintes casos:
– Vacinação para prevenção de Hepatite
– Histórico de tratamento completo de Hepatite A
Não será permitido o cadastro em casos de:
– Diagnóstico das Hepatites B e C
– Portadores do vírus das Hepatites B e C (conhecido como infecção crônica)

CÂNCER
– Histórico de lesões pré-cancerosas
– Câncer de pele localizado (células basais ou células escamosas)
– Melanoma in situ curado
– Câncer cervical in situ curado
– Câncer de mama curado
– Câncer de bexiga curado

DOENÇAS AUTOIMUNES
O cadastro será permitido nos seguintes casos:
– Tireóide de Hashimoto e Doença de Grave tratadas com sucesso e situação clínica estável
Não será permitido o cadastro em casos de:
– Artrite Reumatóide
– Lupus
– Fibromialgia
– Esclerose Múltipla
– Psoriase
– Vitiligo
– Síndrome de Guillain-Barre
– Púrpura
– Síndrome Antifosfolipidica
– Sindrome de Sjogren
– Doença de Crohn
– Espondilite Anquilosante

EPILEPSIA
O cadastro é permitido nos casos da doença controlada, com ausência de convulsões no último ano.

INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSIVEIS ( ISTs )
O cadastro é permitido em casos de doenças sexualmente transmissíveis, como Herpes, HPV, Clamídia e Sífilis.

DIABETES
Pessoas diagnosticadas dom Diabetes deverão consultar o seu médico para analisar a atual situação clínica:
– Geralmente, diabetes bem controlada, seja por dieta ou medicamento, será permitido o cadastro.
– Nos casos de Diabetes em que é necessário o uso de insulina ou outra medicação injetável para tratar a própria doença ou doenças renais, cardíacas, do nervo ou dos olhos (relacionadas com a Diabetes), o cadastro não será permitido.

Para se tornar candidato à doador é preciso seguir alguns passos:
-Procure o hemocentro do seu estado e agende uma consulta de esclarecimento ou palestra sobre doação de medula óssea.
–O voluntário à doação irá assinar um termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), e preencher uma ficha com informações pessoais. Será retirada uma pequena quantidade de sangue (10ml) do candidato a doador. É necessário apresentar o documento de identidade.
–O seu sangue será analisado por exame de histocompatibilidade (HLA), um teste de laboratório para identificar suas características genéticas que vão ser cruzadas com os dados de pacientes que necessitam de transplantes para determinar a compatibilidade.
–Os seus dados pessoais e o tipo de HLA serão incluídos no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME).
–Quando houver um paciente com possível compatibilidade, você será consultado para decidir quanto à doação. Por este motivo, é necessário manter os dados sempre atualizados.
–Para seguir com o processo de doação serão necessários outros exames para confirmar a compatibilidade e uma avaliação clínica de saúde.
–Somente após todas estas etapas concluídas o doador poderá ser considerado apto e realizar a doação.

Cadastrar-se não significa que a doação será feita naquele momento.
Em Sorocaba procure a Colsan:
Av Cdor Pereira Inacio, 564 – Jardim Faculdade – Sorocaba, São Paulo – Cep:18030-005
(15) 32242930
(15) 33329122

 

Biografia:

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Michele K. B. Machado formou-se em Farmácia, no ano 2000, pela Universidade Metodista de Piracicaba. Focou seus estudos na gestão de pessoas e, no varejo farmacêutico, onde atuou nestes 18 anos de formação.
Sua responsabilidade profissional e, seu viés social proporcionaram verdadeiros cases de sucesso no cuidado à saúde da comunidade. Sempre pautada em orientações verticalizadas e socialmente necessárias contribuiu para a manutenção e geração de cuidado à saúde das comunidades em que esteve inserida

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