Fiz e Aprendi!

“Projeto: “QUERIDA ANNE”-Professora Pamela Sousa de Araújo

Olá meus queridos amigos ,hoje vamos conhecer este projeto encantador de nossa querida professora Pamela Sousa de Araújo,ela compartilhou sua prática de sala de aula que nos desperta a estimular a leitura e a escrita pois acredita ser um dos principais desafios diário para o professor.

Olá meus queridos amigos ,hoje vamos conhecer este projeto encantador de nossa querida professora Pamela Sousa de Araújo idealizadora do blog “ATMA”,ela compartilhou sua prática de sala de aula que nos desperta a estimular a leitura e a escrita pois acredita ser um dos principais desafios diário para o professor.

Vamos conhecer?

INTRODUÇÃO

No segundo bimestre de 2018 os alunos do sétimo ano são convidados a trabalharem o gênero literário diário nas aulas de Língua Portuguesa. Familiarizados com o livro “Diário de um Banana”(que narra os desastres e as felicidades da adolescência de um jovem americano), notou-se a necessidade de uma leitura mais crítica e profunda para os debates em sala de aula.

Eis que surge Anne Frank para contextualizar, provocar, questionar e emocionar os estudantes, pois em sua essência a jovem judia não foi apenas um rosto triste na guerra, mas uma figura autêntica, comunicativa, irreverente e alegre. Em pouco tempo osalunos sentem-se atraídos pela históriae, o trabalho do professor começa a fluir com maior segurança e olhares atentos.

O primeiro passo é relatar sobre a historicidade da Segunda Guerra Mundial através de algumas fotos e vídeos que despertem a curiosidade e o interesse dos alunos. Em seguida a aula é direcionadapara o dia em que Anne ganha seu diário na festa de seu aniversário, sendo o princípio de uma grande amizade entre ambos, pois eram naquelas silenciosas folhas que a jovem contava seus preciosos segredos e mostrava desde cedo uma mente inteligente e revolucionária.

Imagem: Exercito alemão aos comandos de Adolf Hitler
Fonte:https://www. aulazen.com
Imagem: Anne com seu amigo Kity, o apelido carinhoso dado a seu diário.
Fonte:https://www.biography.com

Devido ao pouco tempo disponível nas aulas, sendo impossível a leitura integral do diário, opta-se pela exibição do clássico filme“O Diário de Anne Frank”, que conta a história da jovem judia que morre tão precocemente nos campos de concentração. Com a introdução histórica e biográfica realizadas, os próximos passos são os mais importantes do projeto que consistem na interpretação, opinião e produção textual.

INTERPRETAÇÃO

O docente deverá escolher trechos do livro para que sejam analisados e interpretados por seus alunos. Anne costumava relatar sobre a adolescência e os desafios pessoais que enfrentava além dos medos causados pelo holocausto que acontecia do lado de fora do esconderijo da família.

Trechos assim são válidos, pois é de extrema importância que os jovens encontrem semelhanças nos pensamentos de uma adolescente e façam reflexões sobre as “guerras” que enfrentam no cotidiano: o desemprego dos pais, a separação, irmãos no mundo das drogas, bullying, violência nos bairros, entre outras.

Exemplo de atividade interpretativa em grupo:

DIÁRIO DE ANNE FRANK

“Pois em suas mais íntimas profundezas, a juventude é mais solitária que a velhice’. Li esta frase em algum livro, acho-a verdadeira e lembro-me sempre dela. Será verdade que os mais velhos passam por maiores dificuldades que nós? Não, sei que não é assim. Gente adulta já tem opinião formada sobre as coisas e não hesita antes de agir. É muito mais duro para nós, jovens, manter a firmeza e as opiniões em tempos como estes em que os ideais são destruídos e despedaçados, as pessoas põem à mostra seu lado pior e ninguém sabe mais se deve crer na verdade […].         Quem afirma que os mais velhos passam por dificuldades maiores certamente não compreende a que ponto nossos problemas pesam sobre nós; problemas para os quais somos jovens demais, mas que aparecem continuamente até que acreditamos, depois de muito tempo, haver encontrado uma solução; só que a solução parece não resistir aos fatos que, de novo, a reduzem a nada. Esta é a maior dificuldade desses tempos: surgem dentro de nós ideais, sonhos e esperanças, só para encontrarem a horrível verdade e serem destruídos.         Realmente, é de admirar que eu não tenha desistido de todos os meus ideais, tão absurdos e impossíveis eles hão de se realizar. Conservo-os, no entanto, porque apesar de tudo ainda acredito que as pessoas, no fundo, são realmente boas. Simplesmente não posso construir minhas esperanças sobre alicerces formados de confusão, miséria e morte. Vejo o mundo transformar-se gradualmente em uma selva. Sinto que estamos cada vez mais próximos da destruição. Sofro com o sofrimento de milhões e, no entanto, se levanto os olhos aos céus, sei que tudo acabará bem, toda essa crueldade desaparecerá, voltarão a paz e a tranquilidade.         Enquanto isso, é necessário que mantenha firme meus ideais, pois talvez chegue o dia em que os possa realizar.


  Sua Anne”

Entendendo o texto:

01 – Que argumento Anne usa para dizer que os jovens passam por maiores dificuldades que os mais velhos? Você concorda com ela? Justifique.     

02- Analisando a estrutura do texto, encontre as características especificas do gênero textual.

03 – A que “tempos” Anne se refere quando diz que é difícil para os jovens manter a firmeza e as opiniões em “tempo como estes”?     

04– Quem são os milhões a que Anne se refere quando diz: “sofro com o sofrimento de milhões…”?     

05 – Debatam, reflitam e respondam: vocês acreditam que conseguiriam manter firmes os seus ideais durante uma guerra? Justifiquem. (Mínimo 5 linhas)  

OPINIÃO

Esta é uma das partes mais valiosas deste projeto, pois consiste no levantamento de opiniões individuais e em grupo levando os jovens a pensarem além das regras textuais (um ganho para as aulas de Língua Portuguesa). Ao observar que a jovem Anne utilizava da escrita para relatar e por vezes desabafar sobre suas lutas internas e os problemas notórios que passava na época, os jovens sentem-se seguros para utilizarem da escrita para expressarem seus sentimentos e queixas.

Perguntas norteadoras podem iniciar os debates em sala de aula e promover a troca de informações. Algumas questões são:

  • O que fariam vivendo nesta situação?
  • Se Anne vivesse hoje, o que utilizaria para relatar seus dias?
  • Anne tinha sonhos, assim como muitos de vocês. Não vivemos em uma guerra, mas temos dificuldades no cotidiano. Atualmente, qual a principal dificuldade enfrentada pelo jovem para a realização de seus sonhos?
  • Imagina-se naquele esconderijo, pequeno e silencioso. O que faria?
  • Qual a importância de um diário? Escreveria em algum?
  • Imagine que você tem um diário, assim como Anne Frank, qual “guerra” iria relatar? Qual assunto gostaria de contar a ele?

Muitas outras perguntas podem ser feitas para que o debate em sala possa ser iniciado. É importante que o docente relate cada acontecimento para que o trabalho final seja realizado.

PRODUÇÃO TEXTUAL: “QUERIDA ANNE”.

Todas as vezes que iniciava seu diário Anne começava com a saudação “Querida Kitty”, transformando um simples papel em um grande amigo. Uma das perguntas principais da roda de conversa foi: “Se Anne vivesse entre nós e pudéssemos enviar uma carta, como uma folha de diário, relatando nossos sonhos e objetivos além de nossas “guerras” internas , o que você escreveria?

Uma simples pergunta gerou o início de um belo projeto chamado “Querida Anne”, com cartas belíssimas escritas pelos alunos, além de relatos sobre suas realidades. Ao ler as cartas o professor pode conhecer melhor cada aluno e proporcionar um ambiente favorável para as aulas de Língua Portuguesa.

Estimular a leitura e a escrita é um desafio diário para o professor, neste caso utilizemos dos princípios da pedagogia Waldorf: cabeça, coração e membros. Primeiro devemos levar o conhecimento ao aluno e despertar sua racionalidade (cabeça) para novos assuntos.

Quando está familiarizado com o que aprendeu o professor deve conquistar o sentimento de cada aluno (coração) para que ele sinta prazer nas aulas e motive os outros colegas a discutirem sobre o tema proposto. O último estágio é a ação, pois o ser quando está motivado e transborda conhecimento deve exteriorizar o que sabe então se inicia a escrita (membros).

Ser professor não é introduzir conhecimento, mas cultivar saberes, pois aprendemos em sala mais do que ensinamos a matéria. Desviar o assunto às vezes (como relatar fatos históricos nas aulas de Língua Portuguesa) é valioso, pois são nesses “descaminhos” que se encontra a verdadeira percepção docente: “Educar por amor, pelo amor e com amor, porque a mais bela teoria não terá nenhum valor se a didática não for sincera.”

Produção textual realizada por aluno do 7º ano B

Desenho de Anne escrevendo em seu diário. Produzido pelo aluno 7º ano B.

A arte deve ser sempre valorizada nas aulas de Língua Portuguesa.

Muito lindo né ! super dicas e atividades para incrementar nossas aulas! Obrigada professora Pamela,com certeza seus alunos podem afirmar eu Fiz e Aprendi!

Biografia :

Pamela Sousa de Araújo

Blog: https://atma-36.webnode.com/

Nascida em São José dos Campos interior de São Paulo no dia 18 de fevereiro de 1995, sempre fui apaixonada pela educação e participei de grêmios estudantis no ensino fundamental e médio.

Sou Licenciada em Língua Portuguesa pela Universidade Paulista em São José dos Campos e atualmente estou cursando a pós-graduação Lato Sensu em Docência na Educação Básica pelo Instituto Federal de São Paulo. Meu projeto final consiste na vinculação de Schopenhauer ao ensino. Também, de forma autônoma, estudo as bases da pedagogia Waldorf.

Atuei como professora de Língua Portuguesa no ensino fundamental e descobri minha verdadeira e única vocação: lecionar. Jovens mentes esperando o conhecimento e ensinando tudo aquilo que sabem e descobriram em suas vidas até aqui é uma troca belíssima dessa profissão. Aprendemos mais do que ensinamos e isto é um fato do cotidiano em sala de aula.

“É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática.”

Paulo Freire



Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s