Saúde

Assédio moral no meio corporativo e seus reflexos na saúde do trabalhador

É um processo deliberado de perseguição, mesclado por atos repetitivos e, sobretudo, prolongados. Constata-se nele o objetivo de humilhar, constranger, inferiorizar e isolar o alvo, seja ele quem for no grupo social-administrativo da empresa ou setor.#assédiomoral #saúdedotrabalhador

Assédio moral é um tema nebuloso para quem integra o ambiente corporativo. A prática não se restringe, como muitos pensam, a críticas, piadas, ameaças ou insultos por parte de superiores hierárquicos. Soma-se sobrecarga de tarefas, instruções imprecisas forçando o colaborador ao erro, imposição de horários, ameaças veladas, inferiorização, culpabilidade e descrédito diante dos pares, ou seja, destruição da saúde mental daquele que está sendo assediado.

É um processo deliberado de perseguição, mesclado por atos repetitivos e, sobretudo, prolongados. Constata-se nele o objetivo de humilhar, constranger, inferiorizar e isolar o alvo, seja ele quem for no grupo social-administrativo da empresa ou setor.

Frisa-se ser de suma importância que a empresa saiba o que acontece em suas dependências e tome providencias imediatas mas, é pura retórica. Palestras e discussões sobre a qualidade do ambiente de trabalho correm os corredores, salas e setores mas, a efetivação desta prática não ocorre, ao contrário, frente à crise econômica e excesso de cobranças não-factíveis o assédio está mais presente do que pode-se imaginar.

A humilhação repetitiva e de longa duração interfere na vida do trabalhador de modo direto, comprometendo sua identidade, dignidade e, também suas relações sócio-afetivas, ocasionando graves danos à saúde física e mental, podendo evoluir para a incapacidade laboral, desemprego ou mesmo à morte ( colaboradores que vivem altos níveis de estresse no emprego correm um risco 40% maior de sofrer um infarto ), constituindo um risco invisível, porém concreto, nas relações e condições de trabalho. Tal realidade tende a ser velada, podendo ser comparada a uma prática clandestina de difícil acesso e punição por parte da justiça.

O basta à humilhação depende também da informação, organização e mobilização dos trabalhadores. Um ambiente de trabalho saudável é uma conquista diária possível na medida em que haja vigilância constante objetivando condições de trabalho dignas, baseadas no respeito ao outro como legítimo, incentivo à criatividade e cooperação.

O combate de forma eficaz ao assédio moral no trabalho, exige que as empresa promovam meios para que seus colaboradores tenham garantias de atenção e cuidado quando relatarem algum fato vivido. Algumas empresas já possuem ouvidorias internas e, garantem ao assediado sigilo, discrição e apoio até a posterior solução do caso. Outras, são reativas, apresentando postura inquisitória quando abordada com este problema.

Sofrer assédio moral dentro da empresa é uma situação bastante delicada. Porém, é necessário que o empregado saiba reconhecer as situações que o configuram, bem como, a melhor forma de se proteger. Primeiramente é importante que a vítima resista às ofensas, buscando não reagir. Também é importante que o colaborador anote as datas, horários, o nome do agressor, nomes de outras pessoas que presenciaram o ocorrido, bem como, o conteúdo da conversa. Procurar a ajuda de colegas que testemunharam o fato, ou sofreram os mesmos constrangimentos, também é uma boa estratégia, porém é possível muitos se esquivem de envolvimento e ajuda com medo de perderem seus postos de trabalho.

Para não deixar que a situação fique ainda pior, evite ao máximo conversas particulares com o agressor. Procure manter a comunicação via e-mail, ou na presença de outras pessoas.

Outra providência a ser tomada é buscar o RH ou a ouvidoria da empresa e relatar o ocorrido. Caso a empresa não tome providência, é possível que o empregado relate o assédio sofrido ao sindicato, ou mesmo ao Ministério Público. A empresa responderá pela conduta assediadora do seu empregado. Trata-se de responsabilidade subjetiva, afinal é dever da empresa promover um ambiente saudável para os seus funcionários, bem como, realizar estudos de conscientização contra o assédio moral.

É necessário ampliarmos o olhar acerca das repetidas práticas de assédio moral no meio corporativo, especificamente, como fonte desencadeadora da dependência de ansiolíticos e antidepressivos, assim como o afastamento dos trabalhadores.

O ambiente laboral é o local onde o colaborador passa a maior parte da sua vida, exercendo sua atividade profissional, por isso, é urgente a necessidade de se deixar cristalina a noção de que a prática ofensiva acarreta prejuízos psicológicos, influenciando decisivamente nas suas atividades cotidianas e socialização.

Estes são passos iniciais para conquistarmos um ambiente de trabalho saneado de riscos e violências e, que seja sinônimo de cidadania.

 

Biografia:

Michele K. B. Machado formou-se em Farmácia, no ano 2000, pela Universidade Metodista de Piracicaba. Focou seus estudos na gestão de pessoas e, no varejo farmacêutico, onde atuou nestes 18 anos de formação. 
Sua responsabilidade profissional e, seu viés social proporcionaram verdadeiros cases de sucesso no cuidado à saúde da comunidade. Sempre pautada em orientações verticalizadas e, socialmente necessárias, contribuiu para a manutenção e geração de cuidado à saúde das comunidades em que esteve inserida.

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