Saúde

Depressão e a Sala de Aula

Muito se fala hoje de stress ocupacional, mas poucos sabem que esta é uma doença ocupacional com sintomas físicos, psíquicos e comportamentais que tem nos professores o seu principal alvo. Muito se fala também da elevada porcentagem de atestados médicos passados aos profissionais do ensino, mas poucos tentarão ou conseguirão compreender as razões pelas quais é esta uma das classes profissionais que mais frequentes visitas faz ao psiquiatra.

Em algum momento da vida, todo professor já sentiu um esgotamento total de suas forças. Outros experimentam uma tristeza profunda, amplificada pela certeza de que nada mudará. Há, ainda, quem não consiga viver no presente, bloqueado pela previsão de um futuro muito difícil diante dos olhos. Quando essas sensações são fortes e persistentes, elas se tornam incapacitantes. Atendem por nomes cada vez mais comuns nas escolas brasileiras. Burnout. Depressão. Ansiedade. E a cabeça dá um nó.

O problema é enorme. Os dados de São Paulo são um indício. Em 2015, os transtornos mentais e comportamentais lideraram as causas de licença na rede estadual, com 28% dos casos. Na rede municipal, eles contribuíram para um número absurdo: a quantidade de afastamentos superou o total de professores em sala. Em 2012, o Atlas de Gestão de Pessoas registrou 64,2 mil licenças diante de 58,5 mil servidores ativos.

A gente sabe que boa parte das causas dessa verdadeira epidemia tem raízes estruturais. Más condições de trabalho, muitos alunos por classe, estrutura precária, salários baixos e violência. Tudo isso reflete no ensino e, claro, na saúde do professor. Atacar esses problemas externos é fundamental.

Apoiada no tripé exaustão emocional, diminuição da realização no trabalho e despersonalização( insensibilidade ou afastamento excessivo em relação ao público atendido, no caso, os alunos ), a síndrome do esgotamento profissional, como também é chamada, tem entre os docentes as maiores vítimas.

Existem estratégias de enfrentamento destes nós mentais e, estão ao alcance de todos.

O primeiro passo é procurar tratamento médico o mais rápido possível e, complementar este cuidado com orientações do um psicólogo.

Ficar sentado e estressado esperando o número de alunos nas salas diminuir, o salário aumentar e as famílias participarem não parece uma boa saída.

Há outras estratégias capazes de ajudar. Algumas mais fáceis como instituir pausas no dia para relaxar. E, outras mais difíceis como tirar algo positivo das situações e levá-las com bom humor. É isso que ocorre quando em vez de entender a desobediência de um aluno como um desaforo, você enxerga o episódio como um indício de que ele precisa da sua ajuda para encontrar um caminho e mudar a forma de ser.

Deixar de lado as emoções e focar em encontrar soluções é dica unânime dos especialistas. Outra é poder contar com uma rede de apoio formada na escola. Pesquisas do mundo inteiro mostram que conversar com os pares é uma das principais formas de aliviar o estresse.

Os gestores têm um papel central na construção de um bom ambiente de convívio, o que por si só ajuda a minimizar os desequilíbrios emocionais. Comemorar conquistas e destacar qualidades dos docentes é mais saudável do que expor problemas e fracassos. Implantar uma agenda positiva coma inclusão de momentos formais de troca de experiências bem-sucedidas.

Mobilizar recursos, sejam eles coletivos ou individuais, é um caminho para diminuir as situações desagradáveis e reencontrar as motivações e paixões que levaram à escolha da docência.

Diante de toda dificuldade enfrentada, o amor em ensinar e a troca de conhecimento deve permanecer sempre vivo.

 

Biografia:

Michele K. B. Machado formou-se em Farmácia, no ano 2000, pela Universidade Metodista de Piracicaba. Focou seus estudos na gestão de pessoas e, no varejo farmacêutico, onde atuou nestes 18 anos de formação. 
Sua responsabilidade profissional e, seu viés social proporcionaram verdadeiros cases de sucesso no cuidado à saúde da comunidade. Sempre pautada em orientações verticalizadas e, socialmente necessárias, contribuiu para a manutenção e geração de cuidado à saúde das comunidades em que esteve inserida.

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